
A fotografia digital é uma imagem criada a partir de luz, tal como a fotografia convencional, contudo a sua matriz é digital – feita de dígitos. As provas digitais são assim criadas a partir desta matriz obtida através de uma fonte com sinal digital, contrariamente às provas fotográficas que apresentam uma matriz analógica (ex: negativo), e das provas fotomecânicas que têm uma matriz mecânica.
A origem digital deste tipo de provas permite uma elevada flexibilidade e adaptabilidade de impressão, assim como uma rápida produção, o que se reflecte na possibilidade de criar uma enorme quantidade e variedade de provas.
Existe uma grande quantidade de processos digitais, à semelhança com as provas fotográficas, que é acrescida pela rápida sucessão e substituição de tecnologias. A sua identificação torna-se essencial para a sua correcta preservação.
Uma forma simples de distinguir os diferentes processos passa pela sua associação a um dos dois grandes grupos; os que apresentam um tom contínuo – tinta em toda a superfície da prova, de aspecto semelhante às provas fotográficas, e os que têm meio-tom – tinta apenas em algumas zonas da superfície da prova, que apresenta um padrão regular ou irregular (ver tabela abaixo).
Além dos diferentes processos, algumas provas digitais podem variar significativamente de acordo com as características do suporte de acordo com o aspeto final desejado, designadamente no caso dos processos de jacto de tinta.
As tendências seguidas ao longo dos últimos 20 anos incidiram em novas estéticas, recorrendo a novos materiais e técnicas de acabamento, e optando por grandes formatos e estruturas complexas tais como suportes secundários (sejam posteriores ou sob a superfície da imagem), laminação de provas, novos suportes (plásticos, têxteis, etc.), entre outros.
Alguns papéis são cobertos por uma fina camada de encolagem, para que a tinta não seja directamente depositada sobre o papel. Outros podem ser recobertos por camadas mais complexas, tais como as camadas do tipo porosa ou dilatável, para isolamento do papel e aumento da definição e saturação das cores. Da mesma forma, as tintas usadas podem ser à base de corantes ou pigmentos, genéricamente mais estáveis e brilhantes que os anteriores, em solução aquosa ou em solventes, que poderão interagir diferentemente com as referidas camadas de cobertura do papel. Estas variações irão determinar a estabilidade e conservação das espécies.
Quando se observa uma prova digital deve-se ter em atenção a interação das suas várias características: suporte, processo de impressão e tinta aplicada, com os agentes externos: luz / UV, água, humidade relativa, temperatura, poluentes atmosféricos, pressão e possível manipulação.
A luz por exemplo tem um efeito acumulativo e em geral pode levar ao desvanecimento da imagem de forma parcial ou total. As tintas à base de corantes são mais sensíveis à luz do que as que têm por base pigmentos. A exposição à luz pode provocar também um amarelecimento da camada de revestimento quando existente. Outro fator que influencia o desvanecimento de uma prova digital é por exemplo o fluxo de ar - quanto maior é o fluxo de ar, mais forte é o desvanecimento.
É recomendável o uso de vidros ou plásticos com filtros UV em molduras para evitar desvanecimento e amarelecimento assim como o uso de material de acondicionamento segundo parâmetros regulamentados.
Recomendações ambientais:
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Processo das provas digitais |
Temperaturas máximas |
Intervalo de humidade |
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Electrofotografia |
16º C |
30 - 50 % HR |
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Jato de tinta (corante e pigmento) |
2º C 5º C |
30 - 50 % HR 30 - 40 % HR |
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Sublimação de corantes |
2º C 5º C |
30 - 50 % HR 30 - 40 % HR |
* Recomendações ISO 18920 (Fevereiro 2012)
Deve-se ter em atenção que, contrariamente ao que por vezes se pensa, as provas digitais NÃO são facilmente reproduzíveis e deve-se tratar cada uma como sendo única e original. As provas a cor ou preto e branco podem ou não ser similares em termos de estabilidade.
Na aquisição de provas digitais, é importante o uso de questionários normalizados para registo de informação contextual e informação técnica (categoria do processo, impressor, corantes, suporte de impressão, revestimento da superfície) optando por usar terminologia normalizada, expandindo se necessário a base de dados para incluir novos processos.
É importante referir que a primeira geração de provas digitais pode ser a mais problemática e embora se tenha evoluído rapidamente para materiais estáveis, estes tornaram-se mais complexos. É também importante manter uma literatura técnica e de conservação atualizada e trabalhar sempre que possível em conjunto com laboratórios de testes, fabricantes, conservadores e outros especialistas.
Para se observar um resumo sobre as várias características e deteriorações associadas aos vários processos digitais, consultar o pdf.
Bibliografia:
JÜRGENS, Martin C.; “The Digital Print: A Complete Guide to Processes, Identification and Preservation”; Thames & Hudson; London, 2009.
JÜRGENS, Martin C.; “Preservação de cópias digitais em arquivos e coleções de imagens” in Cadernos técnicos de conservação fotográfica; Funarte; Rio de Janeiro, 2004; págs. 5, 3-15.
Provas Digitais: caracteristicas e deterioração
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