
Digitalização de uma coleção de fotografia é a conversão das imagens (todo ou parte) em formato analógico para o formato digital.
Algumas razões para digitalizar
· Facilitar a consulta e a pesquisa da coleção.
· Tornar a pesquisa de imagem mais potente e rigorosa.
· Melhorar a qualidade da imagem em relação aos originais analógicos, nomeadamente na correção de cor e de deterioração.
· Facilidade de distribuir e divulgar imagens.
· Rapidez e baixo custo da impressão de provas.
· Consulta e organização de coleções de grande dimensão.
· Reunir virtualmente coleções dispersas fisicamente.
· Proteção de originais fotográficos da manipulação.
Na perspetiva da digitalização de fotografia em arquivos e museus, a digitalização deve assegurar:
1. Boa qualidade de imagem digital.
2. Ficheiros que permitam utilização a longo prazo.
Para cumprir estes dois objetivos, definimos alguns parâmetros e procedimentos que são os mínimos a cumprir.
Requisitos mínimos
Consideramos que os requisitos mínimos para um projeto de digitalização de coleções de fotografia, que permitam cobrir a maior parte das utilizações e garantam a utilização dos ficheiros digitais a curto e longo prazo, são os seguintes:
1. Preparar dos originais antes de digitalizar [ A preparação consiste na observação, escolha ou seleção de imagens a digitalizar (ou seja, não digitalizamos tudo exceto quando se justificar), elaborar um sistema de nomeação dos ficheiros coerente e eficaz (pode ser a numeração existente ou a criação de nova numeração), limpeza do original (importante sobretudo nas transparências), remoção de máscaras, etiquetas, numeração e acondicionamento dos originais analógicos.]
2. Guardar pelo menos um ficheiro TIFF de cada original digitalizado.
3. Inserir nos ficheiros de imagem os meta dados técnicos e administrativos necessários à boa compreensão da imagem e do objeto digital.
4. Assegurar a qualidade da imagem final, através do controlo da qualidade.
5. Trabalhar com o monitor calibrado e produzir ficheiros com gestão de cor (com perfile de cor).
6. Dimensionar os ficheiros para obter um formato de imagem igual ou superior a um mínimo estabelecido. [ O formato considerado mínimo para uma imagem digital é o adequado para imprimir no formato A4 com uma resolução de 300 DPI, a resolução usual das impressoras. Este formato permite-nos satisfazer a grande maioria dos pedidos de impressão e cedência ficheiros de impressão tipográfica. Um formato menor será carente em muitas utilizações e obriga-nos, mais cedo ou mais tarde, a repetir a digitalização. Um formato maior, que permita uma prova formato A3 a 300 DPI ou superior, é ainda melhor, mas será para muitos sistemas informáticos, mais lento de processar.]
7. Produzir um ficheiro comprimido (JPEG) para consulta.
Justificação dos requisitos mínimos
1. Com metadados e ficheiro TIFF pretendemos assegurar a utilidade destas imagens num futuro mais ou menos alargado.
2. Com a dimensão alargada pretendemos alargar o leque de utilizações e evitar ter que voltar a digitalizar.
3. Com o controle de qualidade pretendemos assegurar a qualidade e a confiança nos ficheiros produzidos e evitar erros, frequentes num trabalho repetitivo.
O que seria ideal na digitalização
Para além de cumprir os procedimentos mínimos, poderemos acrescentar:
1. Guardar um ficheiro RAW, mais um ficheiro TIFF (ou dois ficheiros TIFF, um deles sem tratamento de imagem e o outro com o tratamento e retoque da imagem).
2. O tratamento digital da imagem deve ser guardado num ficheiro TIFF.
3. Formato de saída igual ou superior a A3 (30x40 cm), a 300 DPI.
Algumas considerações sobre o retoque digital
1. Os defeitos nos originais podem (devem?) ser retocados e melhorados no digital, com o objetivo de apresentar uma imagem de melhor qualidade. Esta manipulação não deve ser escondida; antes deve ficar explícito (na imagem ou na base de dados), que a imagem digital foi manipulada. Em casos de maior correção (alteração de cor ou de contraste), poderemos disponibilizar ao público, para além da imagem tratada, a imagem antes do tratamento.
2. Os defeitos do original, que geralmente corrigimos são os seguintes:
a. Claro-escuro e contraste
b. Equilíbrio de cor
c. Retoque de defeitos locais (pontos, riscos)
Calibração e caracterização
Calibrar significa alterar os valores de saída de um aparelho de captura de imagem, para obter resultados certos. Ao calibrar estamos a modificar os valores de saída. Caracterizar significa interpretar os resultados de um aparelho para melhor compreender e utilizar as suas imagens. Ao caracterizar não alteramos nem modificamos os valores de saída.
Com a calibração do monitor pretendemos ver a imagem digital sem alterações introduzidas pelo aparelho de visionamento. Apenas um monitor calibrado nos permite segurança no acerto da imagem, claro-escuro e cor. Os monitores devem ser calibrados regularmente, idealmente todas as semanas. Esta operação é feita com uma mira digital com cores e cinzentos e um aparelho de leitura (colorímetro), que informa o computador das distorções de cor e contraste dadas pelo monitor e das correções a fazer. A calibração pode também ser feita visualmente pelo operador, embora sem o mesmo nível de rigor.
Filosofia a seguir na digitalização de coleções de fotografia
Primado da qualidade sobre a quantidade: mais vale pouco e bom do que muito e de má qualidade. Este primado leva-nos a preferir selecionar antes de digitalizar e optar por um processo um pouco mais longo e complexo (imagens maiores e controle de qualidade), com melhor qualidade. Por outras palavras, mais qualidade, e menor quantidade.